Jovem que catou papelão ‘pula’ mestrado e é chamado para doutorado no exterior
Eu ganhava R$ 668 de bolsa-auxílio e a faculdade era R$ 660. Todo o meu salário ia para os estudos, não sobrava nada. Cheguei a trancar a matrícula no primeiro ano pois não tinha mais como pagar. Um ano depois, em 2015, eu voltei para a universidade, mas então fiquei desempregado”, conta.
Sem trabalho, Jefferson conseguiu completar o primeiro e segundo semestre com abono temporário na mensalidade. Já no segundo ano, foi contemplado com uma bolsa de estudos do Programa Universidade para Todos (ProUni). Apesar disso, o jovem tinha dívidas de mensalidades anteriores acumuladas.
Com a ajuda dos amigos, que chegaram até a fazer uma vaquinha, Jefferson conseguiu pagar a dívida com a universidade. “Eu ia sempre com a mesma roupinha, os mesmos sapatos. Todo dia igual, não tinha dinheiro para comprar mais nada”, relembra.
Ao se formar, Jefferson começou a dar aula em escolas públicas e, pelo seu destaque como bom estudante, professores da universidade deram a ideia dele tentar mestrado fora do país. O jovem, então, viajou de ônibus para o Chile, onde visitou universidades e foi incentivado a postular vaga para mestrado e doutorado.
No fim de 2018, Jefferson recebeu a notícia de que havia sido aprovado no doutorado, sem ao menos passar pelo mestrado. “Meu nome estava na lista de aprovados, entre americanos, franceses, alemães e outros estrangeiros. Passei em terceiro lugar. Foi incrível”.
Com 24 anos, Jefferson já está morando no Chile e cursa doutorado em Filosofia na Pontificia Universidad Católica de Valparaíso (PUCV). A previsão é que o jovem conclua o curso em 2023 e, segundo ele, ainda é cedo para saber se volta ao Brasil ou se tentará seguir a vida fora do país.
“Tenho muito que agradecer a todos que acreditaram em mim. Minha família nunca duvidou da minha capacidade e sempre me apoiou. Hoje estou realizando um sonho graças aos professores, aos amigo e a todos que me incentivaram”, finaliza.
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