Saúde
Em avaliação diante do crescente número de confirmados para coronavírus em Santa Catarina, o Estado é considerado o terceiro do país com a maior taxa de contágio do vírus. Segundo dados do governo estadual, tem sido registrada uma média de 1,1 mil casos diariamente e nove mortes.
De acordo com o ex-diretor do Departamento de Imunizações e Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde, professor da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul e pesquisador da Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz), Júlio Henrique Croda, a situação tende a ficar ainda mais grave nas próximas semanas em Santa Catarina. O especialista recomenda adotar novas medidas de isolamento social para interromper a onda de contágio.
Isso porque a taxa de contágio do novo coronavírus, também conhecida pela sigla RT entre os especialistas, é a terceira maior do país atualmente, segundo Júlio, ficando atrás apenas do Paraná e do Mato Grosso. Com um índice de RT de 1,34, significa dizer que dez infectados com o novo coronavírus contaminam outras 13 pessoas. No Paraná, esse índice é de 1,47; e no Mato Grosso, de 1,35. A média brasileira até 6 de julho era de 1,02.
Conforme o especialista, é necessário que essa taxa fique abaixo de 1 (um) para que a contaminação exponencial da população comece a cessar e haja a contenção da pandemia. Santa Catarina chegou a ter um RT superior a 3 (três) no início da pandemia, em março, quando uma pessoa com o vírus era capaz de infectar até outras três. Com as medidas de restrição da circulação de pessoas e de serviços considerados não essenciais, a taxa começou a cair gradativamente. O governo do Estado afirmou na época que, com o isolamento social, foi possível reduzir em 50% a taxa de contágio.
Para conter essa grande onda de contágio que começou na segunda quinzena de junho, Júlio afirma ser necessário adotar novas medidas de isolamento social rígidas, especialmente nas regiões onde a situação é mais severa.
O recomendável, conforme especialistas em saúde pública, seria manter acima de 50%, pelo menos. O maior índice num dia útil foi alcançado em 23 de março, quando o Estado registrou 64,4% das pessoas em casa. “Vai ter que fechar comércio, interromper transporte público. Toda parte de flexibilização vai ter que dar um passo para trás. É preciso retornar o que foi feito lá no início da pandemia”, diz Júlio.

