Jaguaruna
Um caso de agressão contra uma professora da rede municipal de ensino de Jaguaruna ganhou repercussão e dividiu opiniões nos últimos dias no município.
O fato ocorreu na quinta-feira, dia 14, em um Centro de Educação Infantil, quando a mãe de um aluno autista teria agredido verbal e fisicamente uma professora 2, que faz parte do sistema de educação inclusivo.
A mãe acusada de ter agredido a professora disse em entrevista exclusiva à Folha Regional que outras mulheres também já registraram reclamações contra a educadora há alguns meses e nega que a tenha desacatado.
De acordo com a diretora da unidade escolar, a mãe foi até o local questionar algumas atitudes da professora 2 responsável. Durante a discussão, mãe e professora se alteraram e trocaram agressões verbais, até que a mãe teria agredido a professora com arranhões.
Conforme a mãe, no decorrer da semana, ela notou que seu filho, diagnosticado com autismo nível 2 de suporte, voltou para casa com a mesma fralda, o que causou assaduras na criança. Ela conta que o fato se repetiu por dois dias seguidos, até que entrou em contato com a direção para questionar o motivo de a criança não ter sua fralda trocada. A diretora solicitou que a mãe fosse até a escola para conversarem. A mãe nega que teria desacatado a professora.
Outras mães também relataram situações envolvendo a mesma professora, além de reclamarem da falta de estrutura em sala de aula. Elas afirmam que irão levar as atas já registradas e um boletim de ocorrência até o Ministério Público em busca de medidas de urgência para melhorias na educação inclusiva da rede municipal.
Educação inclusiva
O secretário de Educação de Jaguaruna, Felipe Guimarães Desidério, afirma que ambas as partes foram ouvidas e estão recebendo suporte do município. Diante das alegações da mãe, a secretaria ofertou a opção de transferência da criança autista para outra unidade escolar. A mãe aceitou e o aluno será atendido em outro CEI.
A professora segue afastada da sala de aula para se recuperar. Foi oferecido tratamento psicológico por profissionais da rede municipal de saúde e a opção de também ser remanejada para outra unidade.
Desidério afirma que a educação inclusiva precisa ser repensada no município. A secretaria pretende iniciar estudo para reformular leis e ações para acolher as crianças com autismo, neurotípicas e neuroatípicas que possuem dificuldade na alfabetização, atingindo o desenvolvimento intelectual. “Percebemos que vem crescendo o número de alunos com deficiências. Atualmente temos mais de 150 na rede municipal. Nosso objetivo é a longo prazo construir essa regulamentação e atualizar leis com os profissionais da educação”, diz.
A curto prazo, a secretaria pretende promover orientações e palestras com os educadores para conscientizar sobre o combate à violência e como lidar com estas situações emergenciais em sala de aula.
Repercussão do caso
A Secretaria de Educação e Cultura do município e o Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal de Jaguaruna emitiram notas de repúdio contra o ato. “O sindicato reitera seu repúdio e exige que medidas cabíveis sejam tomadas pelos órgãos competentes, a fim de resguardar a segurança e bem-estar de todas as trabalhadoras e trabalhadores em educação”, diz trecho da nota do Sinserj. O município, em nota, afirma que está tomando “todas as medidas necessárias. Além disso, a secretaria compromete-se em investigar o ocorrido, a fim de tomar as providências”.
Fonte: Folha Regional
Foto:Folha Regional



