Teste do pezinho completa 25 anos e segue como ferramenta essencial na saúde de recém-nascidos

Saúde

Programa nacional pode detectar mais de 50 doenças, mas acesso à versão ampliada ainda é desafio no Brasil

O Programa Nacional de Triagem Neonatal, popularmente conhecido como teste do pezinho, completa 25 anos neste sábado (6). Instituído pelo Ministério da Saúde em 6 de junho de 2001, o exame é considerado uma das ferramentas mais importantes para a saúde de recém-nascidos no país, sendo capaz de identificar precocemente mais de 50 doenças na sua versão ampliada. A data foi estabelecida como Dia Nacional do Teste do Pezinho, com foco no aumento da conscientização sobre o exame.

O teste funciona de forma simples: uma pequena picada no calcanhar do bebê permite a coleta de sangue em papel-filtro, que é então analisado em laboratório. A coleta deve ser realizada entre 48 horas e cinco dias após o parto, idealmente ainda na maternidade ou em unidades básicas de saúde. O objetivo, segundo o Ministério da Saúde, é prevenir alterações no desenvolvimento físico e mental da criança, já que o diagnóstico precoce permite iniciar tratamentos antes que as doenças causem danos irreversíveis.

Quando foi incorporado ao SUS, o exame detectava apenas duas condições: fenilcetonúria e hipotireoidismo congênito. Com a evolução do programa ao longo de 25 anos, a versão básica oferecida gratuitamente pela rede pública passou a identificar sete doenças, entre elas a doença falciforme, a fibrose cística, a hiperplasia adrenal congênita e a toxoplasmose congênita. Todas foram selecionadas por causarem danos graves se não detectadas cedo e por terem tratamento disponível no Brasil.

Entre as doenças rastreadas, algumas chamam atenção pela gravidade quando não tratadas a tempo. A fenilcetonúria, por exemplo, pode evoluir para deficiência intelectual caso o tratamento não seja iniciado ainda no primeiro mês de vida. Já o hipotireoidismo congênito pode levar a quadros de retardo mental grave se não tratado. A doença falciforme, por sua vez, causa lesões progressivas em diversos órgãos e aumenta o risco de infecções ao destruir gradualmente o baço.

Em 2021, a Lei nº 14.154 alterou o Estatuto da Criança e do Adolescente para expandir o teste do pezinho de sete para mais de 50 doenças no SUS. A implementação foi dividida em cinco etapas, mas a legislação não estabeleceu prazos para que estados e municípios cumprissem a ampliação. Isso criou uma disparidade no acesso: enquanto a versão ampliada já está disponível em laboratórios privados, grande parte da população ainda depende do teste básico pela rede pública.

Especialistas apontam que, além da falta de prazos definidos, outro obstáculo é a necessidade de estruturar a rede de saúde e formar médicos especializados para acompanhar as condições identificadas pelo exame ampliado. O Ministério da Saúde reforça que bebês que não realizarem o teste até o 28º dia de vida devem ser avaliados por um serviço médico para orientação e investigação diagnóstica. Aos 25 anos, o teste do pezinho segue como símbolo de prevenção, mas ainda tem um longo caminho pela frente para alcançar todo o seu potencial no país.

Fonte: MInistério da Saúde

Foto: LAPEC- Divulgação reprodução sul em destaque

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