Em Jaguaruna, novo assoreamento da Barra do Camacho preocupa pescadores e acende alerta

Jaguaruna

Sem manutenção no canal, acúmulo de areia é visível e dificulta entrada de peixes e passagem das águas; Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio Tubarão observa situação e deve discutir o tema em próxima reunião

A Barra do Camacho, em Jaguaruna, tem mostrado sinais de assoreamento nos últimos tempos e preocupa moradores e pescadores locais. Quem passa pelas proximidades já consegue notar o acúmulo de areia no final da Barra, o que impede a entrada de peixes no canal.

Além de manter famílias de pescadores de Jaguaruna, a Barra é considerada fundamental para a economia da região, já que é importante para o turismo local e é também utilizada para o escoamento das águas da chuva.

 

 

O presidente do Grupo de Pescadores de Tubarão, Eraldo Garcia de Souza, diz que a situação é preocupante, principalmente com os alertas do fenômeno El Niño para os próximos meses. “A Barra está em situação de emergência. Notamos muita diferença com o assoreamento. Estamos preocupados, pois os meteorologistas estão alertando que terá acúmulo de chuva acima do normal”, comenta.

O presidente relembra que, na última cheia registrada na região, a Barra do Camacho foi de grande importância para a vazão das águas dos rios – mesmo assim, dezenas de famílias foram afetadas.

O Grupo de Pescadores atuou na época disponibilizando barcos e voluntários para auxiliar no resgate e acolhimento de famílias de Tubarão e região. “Depois que acontece não adianta mais. Nosso grupo ajudou no resgate de muitas pessoas com as nossas embarcações durante as cheias. Hoje a situação é de emergência. Não podemos esperar acontecer a tragédia para depois tentar consertar os erros. Pedimos atenção das autoridades com providências o quanto antes”, alerta o presidente do grupo.

Comitê acompanha situação de assoreamento

O presidente do Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio Tubarão, Complexo Lagunar e Bacias Contíguas e secretário de Proteção e Defesa Civil de Tubarão, Rafael Marques, confirma que o assoreamento na Barra do Camacho já é notável por imagens de satélite e visível para quem passa no local.

O comitê abordará a situação no próximo encontro entre os membros e tem o posicionamento de que, independente da passagem do El Niño, a manutenção para evitar o assoreamento completo é de fundamental importância.

“Com esses sinais de assoreamento, é importante ter uma draga no local para fazer a manutenção. Este molhe no canal precisaria ser estendido centenas de metros afora para evitar aquele enrocamento curto. Certamente ficará mais oneroso fazer o trabalho de desassoreamento se fechar o canal do que ter um equipamento para manutenção constante”, avalia Marques.

Prefeitura aguarda análise do IMA

A prefeitura de Jaguaruna informou que observa o acúmulo de areia em determinados pontos do canal, especialmente na entrada da Barra e na região conhecida como coroa.

O município contratou a Unesc para a realização dos estudos necessários ao atendimento das exigências do Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA). O objetivo é obter a licença ambiental que permitirá a retirada da areia acumulada na região da coroa, entre o canal e a Lagoa do Camacho, com o uso de uma draga.

“Assim que a licença ambiental for emitida, a prefeitura iniciará os trabalhos de desassoreamento nesse trecho específico do canal”, afirma a prefeitura em nota.

Desde 2020 cedida para Jaguaruna pela Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc), a draga que seria usada na manutenção do desassoreamento da Barra do Camacho foi devolvida ao Estado em dezembro do ano passado.

O equipamento foi retirado da água em abril de 2024 e continuava inoperante às margens do canal da Barra, em estado de deteriorização.

Pedido de ação urgente

O coordenador da Comissão de Acompanhamento dos Projetos para Contenção de Cheias na Bacia Hidrográfica do Rio Tubarão e Complexo Lagunar, Claudemir dos Santos, diz que o assoreamento da Barra do Camacho tem sido observado há alguns anos. Diante do avanço do acúmulo de areia e os riscos que o assoreamento por completo pode causar para Jaguaruna e região, a comissão está elaborando um ofício para encaminhar à Defesa Civil do Estado e para as prefeituras solicitando ações de urgência. O pedido se deve principalmente em função do alerta de El Niño para os próximos meses.

“Desde 2022, quando foi feito o desassoreamento, avisamos que a obra ficou incompleta. Parte do valor foi devolvido ao governo do Estado e um banco de areia permaneceu no final da Barra. Agora a Barra do Camacho está bastante assoreada. Vamos solicitar ações emergenciais das autoridades competentes”, afirma Santos.

A comissão é composta por 19 entidades que acompanham a situação do Rio Tubarão e adjacentes para evitar novas cheias.

Fonte: Folha Regional

Foto:  @PERCASTER

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