Jaguaruna-Capina Química é Flagrada em Plena Avenida Duque de Caxias

Jaguaruna

Na tarde desta segunda feira (19) uma sena inusitada  foi flagrada  em plena Av. Duque de Caxias em Jaguaruna,com  presença de um funcionário da  secretaria de obras habitação e serviços urbanos  do municipío  ,realizando uma capina química nos canteiros centrais da avenida .

Uma prática que não é comum muito embora o municipío não possua  uma  lei que  autorize este serviços   mais também não existe lei que proíba esta prática.O exemplo que deveria vir do próprio municipío e da vigilância sanitária  municipal de não realizar este tipo de atividade deixa  a população em alerta com a exposição com agro tóxicos.

A prática estava explícita na distribuição  de veneno na Av. Duque de Caxias na  tarde desta segunda feira, e piór  sem se preocupar com o meio ambiênte e os animais que podem ser uma presa fácil.

A pergunta que fica no ar  é quem autorizou o funcionário a realizar a capina química ,será que isso já vem acontecendo a muito tempo?

O que o chefe do poder executivo  sabe desta prática ?

e

E a população aprova esta prática com a distribuição de venenos ao ar livre em pleno centro da cidade?

Vale lembrar que o funcionário estava  fazendo a capina química sem os devidos EPI (Equipamentos de Proteção Individual) e inclusive de chinelo de dedo.

 

Capina Química o que diz a reolução ConsemaNº 119/2006 e a Anvisa em 2010

A capina química em área urbana ainda é comum nos municípios brasileiros. A falta de esclarecimento da população, a irresponsabilidade de algumas pessoas e a conivência ou omissão dos órgãos ambientais favorecem a manutenção desta prática.

Em alguns casos, os próprios técnicos dos órgãos ambientais, que deveriam alertar a população, também compartilham da ignorância em relação aos riscos causados pela utilização de produtos químicos em áreas densamente povoadas, como são as áreas urbanas. Talvez isso explique porque muitos órgãos fazem vista grossa para a prática.

Ainda há quem possua dúvidas se a capina química é proibida ou não. Desde 2006, no Rio Grande do Sul, a capina química é regulamentada, com exigência inclusive de licenciamento ambiental, pela Resolução Consema nº 119/2006. Porém o artigo 8º da citada resolução inviabilizou o licenciamento de qualquer atividade de capina química, pois condicionou a atividade à utilização de produtos aprovados pela ANVISA e cadastrados na FEPAM. Como a Anvisa não possui qualquer produto registrado para utilização em área urbana, o licenciamento da capina química não é possível.

Em 2010 a ANVISA proibiu de vez a capina química em área urbana com a publicação de uma Nota Técnica informando que não há NENHUM produto no mercado, registrado e ou autorizado para ser utilizado como herbicida (controle de ervas daninhas) ou de pragas em áreas urbanas no território brasileiro.

A nota técnica da ANVISA elenca 5 motivos pelos quais o uso de  qualquer tipo de produto, (químico ou biológico) em área urbana, para controle de pragas e/ou ervas daninhas, é proibido:

1. Durante a aplicação de um produto agrotóxico, se faz necessário que o trabalhador que venha a ter contato com o produto, utilize equipamentos de proteção individual. Em áreas urbanas outras pessoas como moradores e transeuntes poderão ter contato com o agrotóxico, sem que estejam com os equipamentos de proteção e sendo impossível determinar-se às pessoas que circulem por determinada área que vistam roupas impermeáveis, máscaras, botas e outros equipamentos de proteção.

2. Em qualquer área tratada com produto agrotóxico é necessária a observação de um período de reentrada mínimo de 24 horas, ou seja, após a aplicação do produto, a área deve ser isolada e sinalizada e, no caso de necessidade de entrada no local durante este intervalo, o uso de equipamentos de proteção individual é imperativo. Esse período de reentrada é necessário para impedir que pessoas entrem em contado com o agrotóxico aplicado, o que aumenta muito o risco de intoxicação. Em ambientes urbanos, o completo e perfeito isolamento de uma área por pelo menos 24 horas é impraticável, isto é, não há meios de assegurar que toda a população seja adequadamente avisada sobre os riscos que corre ao penetrar em um ambiente com agrotóxicos, principalmente em se tratando de crianças, analfabetos e deficientes visuais.

3. É comum os solos das cidades sofrerem compactação ou serem asfaltados, o que favorece o acúmulo de agrotóxico e de água nas suas camadas superficiais. Em situação de chuva, dado escoamento superficial da água, pode ocorrer a formação de poças e retenção de água com elevadas concentrações do produto, criando uma fonte potencial de risco de exposição para adultos, crianças, flora e fauna existentes no entorno. Cabe ressaltar neste ponto que crianças, em particular, são mais sujeitas às intoxicações em razão do seu baixo peso e hábitos, como o uso de espaços públicos para brincar, contato com o solo e poças de água como diversão.

4. Em relação à proteção da fauna e flora domésticas ou nativas, é importante lembrar que cães, gatos, cavalos, pássaros e outros animais podem ser intoxicados tanto pela ingestão de água contaminada como pelo consumo de capim, sementes e alimentos espalhados nas ruas.

5. Por mais que se exija na jardinagem profissional o uso de agrotóxicos com classificação toxicológica mais branda, tal fato não afasta o risco sanitário inerente à natureza de tais produtos.

É importante também frisar que a utilização de ureia ou extrato pirolenhoso também não são permitidos em área urbana para capina química. Algumas empresas estão comercializando este produto como “capina ecológica”, e alguns municípios estão utilizando dinheiro público para utilização destes produtos, os quais são proibidos. Sobre o extrato pirolenhosos, discutirei na próxima postagem.

A grande polêmica é relacionada aos efeitos que os produtos de capina química oferecem ao organismo e ao meio ambiente.

Glifosato e o Paraquat são os produtos mais conhecidos e utilizados.

Diversos estudos são realizados com relação à toxicidade destes produtos, e os resultados são controversos. Em uma rápida pesquisa em artigos científicos, encontramos autores que citam efeitos crônicos da exposição ao Glifosato, como perda de peso, indução de diferentes tipos de câncer, indução da morte de umbilicais, embrionárias em placentárias, possível carcinogenicidade, dentre outros. Da mesma maneira, o Paraquat é apontado como causador de lesões dérmicas, pulmonares, hepáticas e, até mesmo, neurológicas.

Porém, também foram encontrados estudos que mostram que os efeitos do produto não são tão preocupantes.

Um estudo (Glyphosate: Environmental Health Criteria 159; Genebra: WHO, 1994) publicado sob o patrocínio conjunto do Programa Ambiental das Nações Unidas (United Nations Environment Programme – UNEP), da Organização Internacional do Trabalho (International Labour Organisation) e da Organização Mundial de Saúde (World Health Organization – WHO), aponta o Glifosato como produto de baixa toxicidade, baixa volatilidade e baixa absorção corporal, o que torna sua aplicação por pulverizador costal segura em condições de campo quando o trabalhador utiliza roupa de proteção total. Sua toxicidade é considerada alta apenas em casos de ingestão direta (acidental ou intencional).

Com relação à exposição, este estudo conclui:

Os estudos controlados disponíveis estão limitados a três estudos de irritação/sensibilização em voluntários humanos, cujos resultados não indicaram nenhum efeito. Vários casos de intoxicações (principalmente intencional) com o herbicida Roundup, a base de glifosato, têm sido relatados. Em um estudo sobre os efeitos em trabalhadores aplicando herbicida Roundup, não foram identificados efeitos adversos. Dados disponíveis sobre a exposição ocupacional para trabalhadores aplicando Roundup indicam níveis de exposição muito abaixo dos NOAEL* dos experimentos relevantes com animais.”

Fonte:Redação Sulemdestaque.com.br

Fotos:Jcidalencio

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