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Alta do petróleo após ataques dos Estados Unidos ao Irã já pressiona o mercado e provoca primeiros sinais de falta de combustível
Os reflexos do conflito no Oriente Médio já começam a atingir o abastecimento de combustíveis no Sul catarinense. Em Jaguaruna, postos já registram falta de óleo diesel, situação que começou a impactar diretamente serviços públicos do município.
Diante da dificuldade de abastecimento, a prefeitura informou que alguns atendimentos da administração municipal estão sendo temporariamente afetados. Em nota, o governo municipal explicou que a escassez ocorre porque os postos credenciados para abastecer a frota não estão recebendo novas cargas do combustível.
“A Prefeitura de Jaguaruna informa que, em decorrência da falta de combustíveis, especialmente óleo diesel, nos postos credenciados que abastecem a frota municipal, alguns serviços estão sendo temporariamente afetados. A dificuldade de abastecimento ocorre porque os postos não estão conseguindo receber novas cargas de combustível. Diante desse cenário, a administração municipal adotou medidas de contingência para garantir a continuidade dos serviços considerados essenciais. Neste momento, estão sendo priorizados o transporte na área da saúde e o transporte escolar. Com isso, parte das atividades da Secretaria de Agricultura e da Secretaria de Obras poderá sofrer alterações ou redução temporária na prestação dos serviços”, diz o comunicado.
Criciúma ainda não registra impacto
Em Criciúma, ao menos por enquanto, não há registro de falta de diesel nos postos. O preço do combustível também segue dentro do padrão registrado na última semana. De acordo com levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), realizado entre os dias 1º e 7 de março, o diesel S-500 foi comercializado na cidade com média de R$ 5,95 por litro, com valores variando entre R$ 5,69 e R$ 6,46. Já o diesel S-10 apresentou média de R$ 6,15, com preços encontrados entre R$ 5,79 e R$ 6,68. Nesta terça-feira, os valores observados nos postos de Criciúma permaneciam dentro desse intervalo.
Em outras regiões de Santa Catarina, porém, os preços já apresentam aumento mais expressivo. Na região de Blumenau, há registros de postos vendendo o diesel na faixa de R$ 8 por litro.
O cenário é reflexo da escalada nos preços do petróleo no mercado internacional após os ataques dos Estados Unidos ao Irã. Desde então, a cotação do barril acumula alta superior a 20%.
A elevação criou uma defasagem entre os preços internacionais e os valores praticados no Brasil. Segundo a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), o atual contexto daria margem para um aumento de R$ 1,22 no litro da gasolina e de R$ 2,74 no litro do diesel.
A Petrobras informou, em nota, que não antecipa decisões sobre manutenção ou reajustes de preços. A estatal afirmou que sua política busca reduzir a transmissão imediata das oscilações internacionais para o mercado brasileiro. Segundo a empresa, a estratégia visa garantir maior previsibilidade e segurança aos consumidores, evitando impactos bruscos provocados por variações externas.
Preocupação com a safra no estado vizinho
O cenário também gera preocupação no Rio Grande do Sul, onde produtores rurais relatam dificuldades para encontrar óleo diesel em meio ao período de colheita da safra de verão. A Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) informou que a situação é considerada crítica, pois a falta do combustível ocorre justamente no auge da colheita de soja e arroz. Segundo a entidade, empresas responsáveis pela revenda de diesel relatam que o problema tem origem nas refinarias, com suspensão no fornecimento sem aviso prévio ou justificativa.
A ANP, por sua vez, afirma que não há risco de desabastecimento no mercado brasileiro. Segundo a agência, o Rio Grande do Sul possui estoques suficientes para garantir o abastecimento regular de diesel.
A ANP informou ainda que notificará formalmente as distribuidoras para que prestem esclarecimentos sobre volumes em estoque, pedidos recebidos e pedidos efetivamente atendidos. “Caso seja necessário, a Agência está preparada para adotar todas as medidas cabíveis a fim de assegurar a continuidade e a normalidade da oferta de diesel no país. Cabe destacar que o Rio Grande do Sul é um estado que produz mais diesel do que consome, encontra-se com nível de estoque regular e não foram constatadas justificativas técnicas ou operacionais que expliquem uma eventual recusa no fornecimento do produto”, informou a agência em nota.
A ANP acrescentou que eventuais aumentos de preços considerados injustificados poderão ser investigados em conjunto com órgãos de defesa do consumidor.
ANP
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