Colunista
Nos últimos dias, com tantos acontecimentos absurdos,se fala muito sobre o TEA(Transtorno Espectro Autista).
Nós famílias ATÍPICAS, ouvimos muito sobre o assunto e pouco falamos. Pouco falamos pois existem inúmeras matérias e estudos a respeito, e mesmo que todos afirmem que NENHUM AUTISTA É IGUAL AO OUTRO, as pessoas insistem em afirmar que lêem, ou conhecem alguém que também conhece alguém que tem um autista na família, e acabam rotulando de certa forma a todos iguais.
Você ler sobre o assunto, você se torna rapidamente um entendedor . Mas você SABER sobre o assunto, isto sim é compreender. São níveis de suporte 1,2 e 3. E atrás de cada nível existe uma família movendo mundos para que seu filho esteja dentro de sua rotina e por sua vez ,esteja “regulado” como costumamos falar.
E para isto a família precisa também procurar terapias, mas não para conseguir criar seus filhos, as terapias servem para conseguir lidar com as inúmeras formas de preconceito que vivenciamos dia a dia.
A falta de recursos na saúde, falta de capacitação na educação, a falta de oportunidade no esporte. São “guerras” que lutamos diariamente.
Então, quando você vê uma mãe “surtando”, com certeza não será por pouca coisa, geralmente os surtos vem após muitas noites em claro, após muito ouvir entendedores dando opiniões sem nem ao menos se esforçarem para ter a compreensão.
As filas de prioridades servem para que os 5 minutos a menos que esperamos mantenha nossos filhos “regulados”, porque se passa o limite da tolerância dele, bom, se passa você vê um choro, um grito uma auto agressão.
Mas entendam que não acaba ali, leva até 3 dias ou mais para conseguir trazer a paz e calma de nossos filhos.
Não temos o direito de surtar, porque você acha que é sem motivo, porque o autismo pode ser leve.
Leve para quem?
Uma mãe que cuida de seu filho, casa, trabalho .
Ela também corre atrás de remédio, bom atendimento, direito a terapias, bom tratamento em escola regular.
Ela corre atrás de mostrar para você que entende mas não compreende, como realmente é a situação .
Nunca enxerguei o quanto era importante para meu filho um passeio no final de semana, mesmo que seja para ver o mar, ou ir em um restaurante comer um prato de arroz sem acompanhamento.
As suas atividades simples, se tornam desafios para a família atípica, e talvez você não enxergue isso porque nós fazemos tudo parecer rotineiro e fácil, porque para nós nada é tão valioso quanto um sorriso sincero.
Precisamos fazer mais do que apenas “levantar a bandeira”, precisamos que a população respeite os autista, e que se for necessário forçamos o respeito , pois é nosso direito.
Busquem compreender mais do que entender.
Os livros passam o básico , ali você entende.
O dia a dia passa a verdade, ali você realmente compreende.
Por:Fabi de Castro



