Golpe
Fraude estruturada usa linguagem jurídica, fotos de advogados reais
O golpe do falso advogado deixou de ser uma tentativa amadora. Hoje, é estruturado, convincente e, em muitos casos, difícil de identificar à primeira vista. Criminosos acessam informações reais de ações judiciais, identificam pessoas que aguardam o recebimento de valores na Justiça e as contactam com nome completo, número do processo, fotos de advogados reais e linguagem técnica, tudo para ganhar confiança e exigir o pagamento de supostas taxas para liberar os valores. O resultado é direto: prejuízo financeiro imediato.
O cenário mais preocupante é a sofisticação crescente da fraude. Já há registros de golpistas que simulam audiências virtuais, com linguagem técnica e postura profissional, para induzir a vítima ao pagamento. “Não estamos mais falando de um golpe genérico. Eles chegam com informações reais do processo, sabem o nome do cliente, o valor envolvido e falam como se estivessem dentro do escritório. Isso quebra qualquer desconfiança inicial. Já atendemos casos em que o golpista simulou uma audiência e a vítima acredita que está diante de um procedimento legítimo. É um cenário muito preocupante”, afirma Débora Marchet.
O principal alvo são pessoas que já têm processos em andamento, o que torna o golpe ainda mais perigoso. “Eles sabem exatamente quem procurar. E é isso que faz a diferença: o golpe chega no momento em que a pessoa já está esperando uma resposta da Justiça”, explica a advogada. Não é um disparo aleatório. É uma abordagem direcionada, calculada e com alto poder de persuasão.
Fraudes bancárias: quem paga a conta?
Enquanto cresce o golpe do falso advogado, as fraudes bancárias seguem causando prejuízo direto ao bolso das vítimas. Transferências indevidas, invasão de contas e movimentações suspeitas compõem um cenário cada vez mais comum, e que levanta uma dúvida imediata: quem paga essa conta?
Segundo o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, as instituições financeiras podem ser responsabilizadas quando há falha comprovada na segurança das operações, especialmente quando o sistema não identifica movimentações fora do padrão do cliente e não dispõe de mecanismos eficazes de prevenção. “Muitas dessas fraudes envolvem transações completamente fora do comportamento habitual do cliente. Quando o banco não identifica isso, surge uma discussão importante sobre responsabilidade”, afirma Débora Marchet. Ela reforça que o consumidor não pode ser o único a arcar com o prejuízo. “Quando existe falha de segurança, o risco não pode ser transferido integralmente para o cliente. A instituição financeira também tem o dever de proteger essas operações.”
Como se proteger?
Advogados legítimos não cobram taxas antecipadas para liberar valores judiciais. Ao receber qualquer contato desse tipo, a orientação é simples: suspenda a comunicação e entre em contato diretamente com o escritório que representa a causa, utilizando apenas os canais de contato verificados previamente.
Para prevenir, a OAB disponibilizou a plataforma ConfirmADV, que permite verificar em tempo real a identidade de qualquer advogado. Após o envio dos dados, o profissional tem até cinco minutos para confirmar sua identidade. Se não responder, tanto o cidadão quanto o advogado são notificados. A ferramenta é gratuita e acessível a qualquer pessoa.
A regra de ouro, no entanto, é simples: nenhum advogado legítimo cobra taxas antecipadas via Pix para “liberar” valores judiciais. A urgência e a pressão emocional são, sempre, o principal sinal de alerta.
Fonte:OAB


