Colunista
Retorno às aulas.
“ Estudar é o maior ato de rebeldia contra o sistema. O saber rompe as cadeias da escravidão” ( pensador desconhecido).
Nos acostumamos a acreditar que pensamentos e práticas são compartimentos distintos da vida. Quem pensa o mundo não faz o mundo e vice-versa. Mas, houve um tempo em que os sábios, eventualmente chamados de cientistas ou artistas, circulavam os diversos campos da cultura: matemática, física, arquitetura, pintura, escultura etc eram matéria-prima do pensamento e da ação. A Revolução Industrial veio derrubar a ideia do saber Renascentista e, desde o século XIX, a especialização foi ganhando força. Todavia, sempre haverá quem nos lembre que a VIDA é produto de um contexto de acúmulo de vivências e ideias. Pense num filósofo que pegou em armas contra o Nazismo para depois empunhar as ferramentas da retórica contra o Stalinismo, que reconhece a importância dos saberes dos povos originais sem abrir mão de pensar e repensar a educação formal.
Paulo Freire, pontua em seu livro “Ação Cultural para a liberdade e outros escritos” que o ato de estudar não é simplesmente memorizar, mas recriar o mundo do leitor (a) e do próprio autor ou autora, em questão. O fundamental da prática do estudo não é propriamente o número de páginas ou de referências lidas, mas o processo de problematização que o (a) leitor/a faz com o texto lido, de desafiar a leitura, sem a intenção de mera cópia ou pura memorização mecânica”.
Um texto é um conjunto de letras e palavras que significa um mundo próprio e em permanente construção. Estudar, nessa perspectiva, é algo complexo, exige disciplina e um processo sistemático e contínuo da imersão nos saberes propostos.
As pessoas não nascem estudiosas, elas se fazendo no tal. Não é possível aprender a estudar sem praticar, sem fazer o exercício permanente que não é da ordem do natural, mas do social.
É, claro que o simples fato de frequentar uma escola, um curso, não basta, há uma vida lá fora, tanto para o estudante, como para os pais. E nesta vida existem tantas necessidades básicas a suprir que às vezes o mero esforço não é suficiente – como dedicar tempo ao aprimoramento e qualificação ( idiomas, tecnologias, especializações etc), quando é inadiável lutar pela sobrevivência diária?
Quando se nasce pobre, a corrida da vida é ainda mais complicada, maiores obstáculos. Mas, o primeiro passo e mais eficaz, é sempre em direção à educação.
Namastê!


